domingo, 14 de março de 2010

resgatando a mamãe

hoje tive um dia muito difícil.
foi logo cedo, quando a mamãe estava me amamentando, que as coisas começaram a ficar estranhas. a mamãe não estava se sentindo bem, estava com um sangramento que não parava e foi para o banheiro. como eu ainda estava com muita fome fiquei chorando para ela voltar logo, mas como ela não voltou o papai me levou até ela no banheiro e a mamãe começou a me dar de mamar sentada no vaso mesmo.

poucos minutos depois, eu nem estava satisfeita ainda, a mamãe deu um grito para o papai vir, achei estranho porque eu não tinha feito um cocozão ainda. o papai nem tinha chegado e eu senti a mamãe me soltando. assim que o papai me pegou ele me levou correndo para o meu quarto e voltou para o banheiro.

ele estava muito assustado deu para sentir na sua voz, ele gritava para a mamãe acordar: “cris!!! acorda!!! não faz isso comigo... acorda, fica comigo”. logo, ele saiu do banheiro com a mamãe no colo e a levou para a cama do quarto deles. em seguida, ele ligou para a doutora andrea. a mamãe parecia ter melhorado, ela telefonou para a vovó e pediu para que o vovô viesse para casa para ajudar o papai a levá-la para o hospital. como eu ainda não tinha entendido muito bem o que estava acontecendo comecei a chorar de novo e o papai me colocou na cama junto com a mamãe para que eu pudesse mamar mais um pouco.

no outro peito da mamãe estava um aparalhinho que tirava leite para uma garrafinha. acho que a intenção era deixar essa garafinha com a vovó para ela poder me alimentar enquanto a mamãe ia ao hospital. mas de modesta parte eu sou muito mais rápida que aquele aparelhinho. percebendo isso o papai e a mamãe desistiram da idéia e deixaram a garrafinha de lado.

como eu estava um pouco mais calma, ainda que não inteiramente satisfeita a mamãe foi se arrumar para poder ir ao hospital, dessa vez o papai foi junto para garantir que tudo ia ficar bem. mas não ficou.

assim que chegaram ao banheiro eu escutei um barulhão e o papai começou a gritar, como na primeira vez. escutei ele ligar para a dra. andrea de novo e dizer que a mamãe tinha desmaiado outra vez e que ela estava sangrando muito. aí sim entendi que a situação era grave. a mamãe estava perdendo sangue continuamente, sem parar, e já tinha desmaiado duas vezes. o papai ficou desesperado e tentou de tudo para conseguir um resgate rápido. ligou para o corpo de bombeiros, para o samu, para o hospital são luiz, para o bandeirantes ambulâncias e para o convênio médico. a melhor estimativa era de 90 minutos. o papai pediu a ambulância e tratou de cuidar da mamãe que estava deitada no chão do banheiro. eis que sem avisar chega o vovô, meio perdido sem saber o que fazer. o papai então passou as instruções para ele.

deu um rolo de sacos plásticos para o vovô forrar o banco do carro e depois subir e segurar o elevador no nosso andar.

assim que o vovô saiu, o papai me colocou no bebê conforto e em seguida tentou colocar a mamãe sentada em um banquinho, mas ela desmaiou mais uma vez. eu tratei de ficar quietinha e não chorar até tudo estar bem novamente com o papai calmo e a mamãe bem.

logo que a mamãe melhorou um pouco, o papai a colocou na cama e me levou até o carro para eu ficar com o vovô. fiquei sabendo depois que assim que o papai voltou encontrou a mamãe desmaiada novamente no banheiro, ela tinha tentado se levantar para se lavar e acabou desmaiando.

como a mamãe não ia conseguir ir andando até o elevador o papai pediu para o vovô subir comigo e esperar ele com o elevador parado no andar. só que o vovô tão atrapalhado e nervoso que estava esqueceu de segurar o elevador no nosso andar o papai ficou fulo da vida por ter que esperar o elevador voltar.

assim que o elevador voltou o papai me deixou no elevador com o vovô e veio buscar a mamãe na cama e descemos todos juntos para o carro. o papai estava tão nervoso que nem lembrou de calçar alguma coisa e acabou indo para o hospital descalço.

eu fui com o vovô na frente ao lado do papai que tava dirigindo. achei emocionante andar de carro, balançava bastante e eu acabei tirando um cochilo bem gostoso.

fiquei sabendo depois que o papai fez quase que o caminho todo na contra mão e que a mamãe ficou um tempão no hospital. eu fiquei dormindo o tempo todo e eles até me agradeceram depois, disseram que eu fiquei bem comportada o tempo todo.

pelo que eu entendi da conversa do papai com a vovó assim que chegamos em casa é que a mamãe, por ter uma coagulação rápida, ficou com um coágulo muito grande dentro do útero que acabou dificultando a contração que faria o útero parar de sangrar.

como o papai disse, foi uma verdadeira ironia do destino: nasci em casa e acabei fazendo meu primeiro passeio em um hospital, que era o que o papai não queria que eu conhecesse até ficar grande, até mesmo nunca, mesmo sabendo que isso seria quase impossível.



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