sábado, 6 de março de 2010

o dia que eu nasci começou cedo...

...ainda de madrugada, a mamãe acordou sentindo dores. era uma dorzinha como uma cólica. algumas horas depois, lá pelas 6h da manhã, a mamãe viu que tinha sangrado um pouco, um sangramento bem escuro. ela resolveu esperar um pouco para ligar para a dr. andréa campos e voltou para a cama pra dormir mais um pouquinho. por volta das 9h, a mamãe ligou para a médica que disse que o sangramento era o rompimento do tampão mucoso e que poderia levar horas ou dias até o parto.
como a data estimada para a minha chegada era dia 15 de março a mamãe ficou bem tranquila, mas como não se sentia disposta resolveu não ir trabalhar.

lá pela 14h depois de a mamãe ter sentido mais umas duas ou três contrações o papai resolveu ligar para a doula, a cristina balzar, que passou algumas instruções para o meu pai de como aliviar as dores da mamãe e pediu para marcar os intervalos das contrações. se eles caíssem para quatro minutos era para avisá-la e irmos para a maternidade.
enquanto isso, a mamãe ligou para a vovó zilda e pediu pra ela levar a malinha da maternidade em casa mais tarde, para que ela pudesse arrumá-la.
até então as contrações estavam vindo com um pouco mais de uma hora de intervalo, mas mais ou menos às 17h, o intervalo baixou para vinte minutos. papai e mamãe se mantiveram muito calmos o tempo todo, mas eu já sabia que a hora estava perto.
uma hora depois papai marcou um intervalo de cinco minutos e achou melhor ligar novamente para a doula que, percebendo que a mamãe estava bem incomodada com as dores, recomendou que ela entrasse debaixo do chuveiro para ajudar a relaxar e diminuir as dores. papai providenciou um banquinho e entrou junto com a mamãe no chuveiro.
nesse momento, o papai percebeu que o relógio de ponteiro já não estava dando conta da medição dos intervalos das contrações e resolveu apelar para a tecnologia de ponta: pegou o garmin, um relógio esportivo digital, e começou a medir os intervalos das contrações. foi quando toumou um susto.
quase uma hora depois de entrar no chuveiro, e ainda lá, a mamãe continuava a sentir fortes dores, e o papai resolveu ligar para a doula mais uma vez, pois as contrações estavam agora com intervalos de dois minutos e meio à três. era eu já querendo receber beijos e abraços dos meus pais!
foi exatamente durante essa ligação, com contrações a cada dois minutos e meio, e com a mamãe no chuveiro berrando de dor, que apareceram em casa a vovó zilda o vovô tide e a tia mônica, com a malinha da maternidade em mãos.
papai, preocupado com a reação deles, não teve dúvida, saiu do chuveiro, colocou a cueca, abriu a porta e já foi logo dizendo “é o seguinte: a cris vai dar a luz em casa e eu não quero escutar uma palavra sobre isso. se quiserem entrem, sentem no sofá e fiquem quietinhos. vocês tem cinco segundos pra decidir!”. a tia mônica já foi logo entrando e dizendo “eu fico!”. papai largou a porta aberta e voltou correndo para o chuveiro com a mamãe e a cris doula ao no telefone, viu gente – a doula perguntou para a minha mãe se ela conseguia sentir alguma coisa ao colocar a mão na vagina. foi aí que senti um leve cutucão na cabeça e escutei a mamãe gritar “- tô sentindo, vai nascer! a barriga tá fazendo força sozinha! vai nascer!”.
diante dessa clara descrição do que estava acontecendo, a doula não teve dúvidas, pediu para o papai levar a mamãe até uma cama forrada com toalhas e deitá-la de lado e que recebesse com a mão quem chegasse primeiro, eu ou a equipe de parto!
com a equipe da dr. andréa a caminho, eu "arregacei as minhas manguinhas" e comecei a abrir o meu caminho. nessa hora, a mamãe achou que não ia aguentar e pediu para o papai dizer à dr. andréa que trouxesse o anestesista. um pouco mais lúcido que a mamãe, que tava louca de dor, papai explicou que não ia ser possível e que ela ia ter que aguentar. escutei ainda o papai dizendo no ouvido da mamãe que ela era forte, que ele acreditava nela, que tinha certeza que ela ia conseguir e que ia correr tudo bem. nessa hora a bolsa estourou e os meus pais que tinham até esquecido desse detalhe, levaram um baita susto.
já que não ia ser possível ter a anestesia, a mamãe pediu a ajuda das mãos fortes da vovó zilda. papai a chamou e a mamãe pegou na mão dela e não largou até eu chegar.
meia hora depois, lá pelas 18h30, a dr. andréa e a assistente chegaram e prepararam tudo direitinho para a minha chegada. pediram mais toalhas, sacos plásticos e azeite ao papai e colocaram um aparelho na barriga da mamãe que media o meu batimento cardíaco, que estavam em 145 bpm - o normal para um bebê.
aí, foi só cada um fazer a sua parte com muita dedicação e calma. a médica orientando a mamãe quando fazer e quando não fazer força e pedindo ao papai pra colocar o azeite de tempos em tempos no meu caminho. a mamãe fazendo força, o papai ajudando a mamãe segurando a perna dela e colocando o azeite na minha passagem a assistente aquecendo as toalhas e preparando todo a material e a doula tirando as fotos.
e eis que em meio a esse cenário chega aquele que mais tarde me tornaria amiga e fã: o pediatra cacá.
antes que todo mundo ficasse cansado, inclusive eu, decidi fazer junto com a mamãe um último e grande esforço. e... VOILÀ! pronto! às 20h56, cheguei ao mundo!
fui para as mãos do papai que logo tratou de descobrir que eu era uma menina e me colocou no colo da mamãe dizendo “amor temos uma filha, é uma mulher!”
fiquei no colo da mamãe um tempão, até tentei mamar, mas estava sem forças. assim que o cordão umbilical parou de pulsar, o papai o cortou. esse foi o momento que marcou o início da jornada da minha individualidade que, segundo o papai, é a mais linda e longa entre todas, pois nunca acaba e sempre nos surpreende com a nossa capacidade de superação.
assim que me separei da mamãe, o papai me entregou ao cacá para que ele pudesse, além de fazer uma avaliação geral, me pesar e me medir. o resultado foi 3.285 gramas nada distribuídos em 50 cm.

4 comentários:

  1. Cris, sua filha veio ao mundo de um jeito muito especial! Linda história. A Laura quis muito nascer e trazer felicidade à sua vida e à de seu marido. E ela com certeza já o está fazendo. Que Deus os abençoe muito!!! Beijo grande, Margot

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  2. Seja bem vinda Laurinha,
    Você é uma presente de Deus pra seus pais, herança bendita.
    Que sua vida seja sempre cheia de alegria, amor e paz.
    grande beijo da prima

    Sônia

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  3. Lágrimas caíram em meu rosto ao ler um pedaço da história de vocês, posso dizer que a mais especial, linda e única. Parabéns Cris por ter sido forte, Parabéns Ri por ter sido sereno no momento mais delicado, mas ao mesmo tempo de infinita felicidade, Parabéns a vocês dois por serem sempre tão unidos, lindos e autênticos! Seja bem vinda, Laura querida, e tenha a mais pura certeza que não poderia ter nascido numa família mais especial que esta! Que vocês sejam muito felizes, sempre! Um forte abraço da Lu Trafani

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  4. Emocionante! Ri e Cris, vocês estão de parabéns. Tiveram força e tranquilidade para trazer esta coisinha fofa para o mundo de um jeito muito especial.
    Logo logo vou aí pegar a linda Laura no colo.
    beijos pra vocês 3. Mô (e Mila)

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